Uma tomografia computadorizada realizada na segunda-feira (24) revelou uma lesão expansiva de aproximadamente 5,8 centímetros no cérebro de uma criança de nove anos que morreu na terça-feira (25), em Barra do Garças (MT). Segundo o exame, médicos levantaram a possibilidade de que a alteração pudesse estar relacionada a um tumor e recomendaram a realização de uma ressonância magnética para uma investigação mais detalhada.
De acordo com o laudo, a alteração estava localizada na região do cerebelo, na chamada fossa posterior, mantendo íntima relação com o quarto ventrículo, estrutura responsável pela circulação do líquido cefalorraquidiano dentro do cérebro.
O documento também descreve a presença de um pequeno componente cístico associado à lesão. Outras estruturas avaliadas no exame, como as meninges, o tronco cerebral e o sistema ventricular, não apresentavam alterações evidentes. Os ventrículos foram descritos com dimensões consideradas normais.
Exame não confirmou diagnóstico de tumor
Apesar de identificar a lesão, a tomografia não foi suficiente para determinar sua natureza. Na conclusão, o radiologista recomendou investigação por meio de ressonância magnética e apontou três possibilidades diagnósticas que deveriam ser consideradas: ependimoma, meduloblastoma e astrocitoma.
As três possibilidades correspondem a diferentes tipos de tumores do sistema nervoso central, mas o laudo não confirma que a criança tivesse qualquer um deles. A definição dependeria de exames complementares e avaliação médica especializada.
Criança apresentou sintomas dias antes
Conforme informações do prontuário médico, a criança recebeu atendimento pela primeira vez no dia 14, apresentando sintomas como febre, vômitos, náuseas e dor de cabeça.
No dia 24 de agosto, ela voltou a ser atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e posteriormente foi encaminhada ao Hospital Municipal Milton Pessoa Morbeck.
Na unidade hospitalar, foi registrada como hipótese clínica a possibilidade de “encefalite viral?”. A interrogação registrada no documento indica que se tratava de uma hipótese que ainda estava sendo investigada, e não de um diagnóstico confirmado.
A criança permaneceu internada, mas apresentou piora do quadro no dia seguinte. Na terça-feira (25), sofreu uma parada cardiorrespiratória e não resistiu.
Secretaria de Saúde descarta suspeita de meningite
Após a morte, circularam informações sobre uma possível suspeita de meningite. Entretanto, a Secretaria Municipal de Saúde de Barra do Garças informou, por meio de nota, que não consta nos documentos médicos apresentados registro de diagnóstico ou suspeita de meningite.
O atestado de óbito registrou “encefalite de origem não especificada” como causa da morte.
A tomografia realizada antes do óbito demonstra a existência de uma importante alteração cerebral, mas, conforme o próprio laudo, não estabelece isoladamente um diagnóstico definitivo sobre a origem da lesão.
O caso deve ser analisado com base no conjunto de informações clínicas, exames realizados e demais documentos médicos disponíveis.